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O que fazer quando estamos num comboio em andamento? Deixamo-lo ir? E onde fica a nossa vontade? O melhor é tornarmo-nos todos maquinistas. Pouca terra, pouca terra, pouca terra...
Sempre houve um eu e um eles ou, visto de lá para cá, um nós e um ele.
No outro dia vi uma publicação numa rede social que apelava a que as pessoas não deixassem que o ego acabasse - espantem-se! - com as suas relações. O que estas publicações ignoram é que tudo é uma questão de ego. Não apenas as coisas más, mas focando especificamente nessas: tirando as tragédias naturais (e até podemos considerar em alguns momentos o ego como uma tragédia natural), todos os males do Mundo humano são problemas de ego.
Coisas estranhas destes dias: canais a filmarem uma chaminé durante horas e a dizer que determinada pessoa é mais papável do que outra com toda a naturalidade.
A pior coisa que já me disseram foi "nunca mais olhes para a minha cara". Convivo bem com a ideia de não olharem para mim. Custa-me um pouco mais tolerar a superioridade que implica suprimir a minha vontade. Já que é para me fazerem mira, que a façam para cima como quem vai atirar aos pratos (perdoem-me a arrogância, mas neste ponto não a queiram levar também).
Acredito que o Mundo era melhor só com imbecis do que só com inteligente.
A idade de Cristo.
O passar dos anos teve em mim o efeito de começar a olhar mais vezes para trás. Sei que mais lá para a frente também começamos a olhar mais vezes para cima. Nada de extraordinário. Enquanto estivermos dentro da validade, temos de olhar para algum lado. Até fecharmos os olhos.
Queria comer migas. Não vai acontecer.
Não gosto do meu aniversário porque é um dia sobre mim. Até para mim próprio.
Se vivesse no México, conseguia passar este dia incólume. Talvez com um "ai, ai, ai", mas acho que eles não notavam.
Ainda vou pensar no que vou comer.
Gosto muito de comédia. Talvez por isso raramente lhe ache graça.
Desejava que a vida lhe sorrisse. Ignorava que a vida não tinha dentes.
É importante construir pontes. Por falar nisso, hoje faço uma.
Odeio poetas. O poeta compreende que a felicidade está na beleza. É por isso que escolhe de forma minuciosa a sequência de palavras que junta. Consegue fazer de uma tragédia um poema. Haverá coisa mais aviltante? Para mim, um poema é como uma instalação de copos na montra de uma loja - o equilíbrio com que toda aquela fragilidade surge montada aos nossos olhos não nos deixa outra remédio do que ter vontade de ir lá dar um pontapé naquela porcaria toda.