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Há pessoas que têm o talento de formar frases de modo a conseguirmos constantemente intuir aquilo que vão dizer a seguir. Constantemente. Ouvimos a primeira oração e depois é só aguardar que aquela rajada de sons termine.
Deixámos de ser um país de trolhas. Agora somos um país que se queixa que não tem casas para viver.
Viveu a vida sem se despentear. Talvez fosse careca.
Há quase sempre uma curiosa noção de ofício na resposta à pergunta "o que queres ser quando fores grande?". Livre! É isso que toda a gente gostava de ser. É isso que ninguém é.
Como é que alguém pode ler um escritor chamado Jorge Amado? Se é amado, sabemos automaticamente que tem menos coisas para nos dizer.
Não sou especialista em Biologia, mas descobri que as ideias são seres vivos. Nascem, crescem, alimentam-se (e alimentam-nos), reproduzem-se e podem morrer. Digo podem porque algumas são contagiosas e sobrevivem pululando de cabeça em cabeça. Não como piolhos, embora também possam dar comichão, mas mais como um vírus. Eventualmente, todas acabam por morrer. Repito: não sou especialista em Biologia, mas parece-me que este pode ser o sexto Reino da Biologia. Ou então é apenas e só mais uma ideia de que sou o hospedeiro.
Por vezes, todos estamos presos dentro das nossas quatro paredes. De certa forma, todos somos presidiários.
Vi um meteorologista muito alto a apresentar o boletim meteorológico na RTP. Faz todo o sentido. Lá de cima tem melhor ângulo para ver se se aproxima borrasca.
Há quem diga que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Não é verdade. O sofrimento nunca será apenas um souvenir que carregamos connosco.
A tragédia está sempre ao nosso lado. Seja porque quase nos atinge, seja porque os outros a carregam perto de nós. Essa é uma das mais abençoadas ignorâncias com que vivemos: a quantidade de tragédias com que nos cruzamos todos os dias.
Nas últimas semanas tenho tido uma torrente de sonhos. Gosto do exercício de os tentar interpretar - não numa perspectiva psicanalítica (não acredito que seja possível fazê-lo de modo tão descontextualizado), mas de modo a perceber se a minha interpretação coincide com a explicação que encontramos online. Uso os sonhos como uma metáfora por deslindar. Tem algo de literário.
Na escola pediam-nos para interpretar textos literários sempre na perspectiva de "o que é que isto quer dizer?". Poucas vezes me transmitiram gosto pela literatura. O amor que nutro pela literatura é um mero acidente de percurso. Lia poemas e outros textos como hoje em dia leio as cartas das Finanças - "deixa lá ver se percebo o que é que vou ter de pagar agora".
Pede deferimento,
F.
Havia uma pessoa que gostava tanto de gadgets que até a pulseira era electrónica.
A diferença é aquilo que condiciona o Mundo - a diferença entre as pessoas; a diferença que fazemos; a diferença entre aquilo que queremos e aquilo que alcançamos.
Decidi aprender a resolver o cubo de Rubik. Conta como decisão.
Há muita gente que vive em conflito com o Mundo. Têm uma ideia para o Mundo que não corresponde com a realidade e sentem que lhes estão a roubar algo. Sempre fui apologista de que devemos aprender a viver com o Mundo que existe e deixar os outros Mundos para a poesia e a Astrologia.
Não sou patriota. Quando digo isto, as pessoas normalmente assumem que não gosto de Portugal. Eu gosto. Simplesmente, não o suficiente para ser tolo e achar que qualquer coisa é melhor apenas por ser portuguesa.
Há pessoas a quem as coisas correm mal frequentemente, a outras apenas às vezes. Uma coisa temos certa: as coisas correm mal a toda a gente.
Novamente sobre coragem: às vezes, coragem é não sair do mesmo sítio. Se calhar, a maioria das vezes.
Cada um tem a opinião que quiser sobre o Sócrates e os processos judiciais em que está envolvido, mas não me parece admissível que os jornalistas, responsáveis por defender a liberdade de expressão, lhe tirem o microfone por estar a criticar os jornalistas. Com razão ou não. É irrelevante.
Defender verdadeiramente a liberdade passa mais vezes por defender a liberdade dos outros do que a nossa. É por isso que é difícil.