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Há algo de perturbador nos posts do Nuno Markl a partir do hospital. É certo que não está a prejudicar ninguém e que possivelmente as redes sociais acabam por ser um escape e uma forma de passar o tempo. No entanto, dou por mim a fazer pensar no grau de adicção que a maioria das pessoas tem às redes sociais ao ponto de ser normal postar cada um dos pequenos passos da convalescença. Já ninguém vê as redes sociais como espaço público: seria impensável o Nuno Markl entrar no café e contar a estranhos o episódio em que teve de interromper a visita da Catarina Furtado porque o laxante fez efeito. Por outro lado, há uma quase romantização involuntária de todo o sofrimento que está a viver: os exercícios para recuperar o corpo paralisado são a "redescoberta do corpo", as mensagens, visitas e prendas que recebe são uma onda de amor. Quase parece mais um episódio de aventura do que um drama. Bem sei que o meu pessimismo me faz olhar para as coisas em tons mais escuros, mas será que isto acontece apenas pela forma como olhamos para o que nos acontece ou não será também porque a necessidade de dopamina é tal na nossa sociedade que nem nos momentos mais duros das nossas vidas a conseguimos dispensar (se calhar, até a necessitamos mais)? Isto não é uma crítica exclusiva a Nuno Markl - cuja profissão o obriga a depender daquilo que os outros pensam para viver e em que pode também haver algum receio de cair no esquecimento pela incerteza do seu precário estado de saúde. É uma reflexão global sobre a forma adicta com que lidamos com o pequeno ecrã e como aceitamos que derrubem as fronteiras entre espaço público e espaço privado. 

publicado às 12:54

Portugal é campeão do Mundo de futebol de sub-17. Praticamente ninguém conhece os rapazes ou viu os jogos, mas dizem que ganhámos - no plural. Sem dúvida alguma que os rapazes - e nós! - representamos muito bem o nosso país. 

publicado às 14:52

O seu avô tinha-lhe dado um conselho que levava para a vida: sai sempre sem fazer barulho. 

publicado às 15:30

As pessoas dizem muitas vezes que não compreendem coisas que simplesmente não aceitam. 

Teve uma daquelas sortes descomunais. Sabia que a partir daquele momento estava a dever à vida. Não precisava de se preocupar com nada: a vida cobra sempre por débito directo. 

publicado às 08:28

Falta um mês para o Natal. Tenho os dias contados. 

publicado às 00:01

Vagueamos por aí tentando valorizar mais as escassas vitórias em relação à maioria de derrotas. Queremos acreditar que é possível sair da vida com saldo positivo. Quando acontecer pela primeira vez, avisem-me, por favor. 

publicado às 13:17

Nunca percebi como é que as pessoas ficam fartas de certas e determinadas coisas. Pessoalmente, preocupam-me mais as coisas incertas e indeterminadas. 

publicado às 12:43

Tropeçamos frequentemente em nós próprios. 

publicado às 20:01

Preocupações que só devia ter lá mais para a frente: quem nos devolve o chorado? 

publicado às 07:58

Detesto que os livros encerrem com um epílogo. Raramente tenho vontade de o ler. O epílogo é como o leito da morte: estamos vivos, mas em bom rigor já não há vida. 

publicado às 09:37

As máquinas são compostas por peças que em conjunto a fazem funcionar. Quando alguma peça se avaria, troca-se por outra nova de modo a que a máquina não cesse de operar. Se várias avariam, pode ter se de deitar fora a máquina e substituir por uma nova.

Este texto não é sobre máquinas. 

publicado às 11:34

Era uma vez um indivíduo que fazia do crime de sangue a sua vida. Certo dia de Inverno, teve um surto psicótico e foi distribuir sopa quente a sem-abrigo. 

No outro dia, alguém disse-me que o coração estica. Achei a frase bonita e, por isso, deixo-a aqui. 

Ainda sobre os poetas: nunca olham para a vida de frente. Escolhem sempre viver o verso. 

publicado às 07:33

Embora os poetas nos tentem convencer do contrário, não há nada menos altruísta do que o amor. 

Inês Sousa Real vai recandidatar-se à liderança do PAN. Vão ser sete cães a um osso. 

publicado às 13:36

Ainda sobre o nome Constantino: fui algumas vezes a um barbeiro em Lisboa chamado Constantino. Daqueles antigos como eu gosto. Quando a tesoura contornava a orelha, tinha mais receio do Constantino barbeiro do que alguma vez teria do Constantino Imperador. 

publicado às 10:37

Já que querem dar nomes à chuva, sugiro que não seja nomes como "Cláudia". Se tinha de ser por "C", podia ser "Constantino", como o Imperador, ou Cheila. Nomes que dão medo. 

Ainda sobre fazer coisas extraordinárias: o Mundo dá um Nobel quando considera que alguém fez algo de extraordinário. Se o próprio sentir que o conseguiu com naturalidade, então não fez nada de extraordinário. 

publicado às 13:23

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